A Doce Vida, a sociedade da aparência
Na obra-prima de Fellini há prostitutas, fotógrafos, aristocratas decadentes, burguesas deprimidas, estrelas de cinema e um povo que acredita em milagres.
Em A Doce Vida (1960), de Federico Fellini, há prostitutas, fotógrafos, aristocratas decadentes, burguesas deprimidas, estrelas de cinema e um povo que acredita em milagres. Uma sociedade italiana fragmentada que se refaz das ruínas da Segunda Guerra Mundial.
Há também um jornalista de tablóide sensacionalista, de nome Marcello Rubini (Marcello Mastroianni), que gostaria de ser um escritor sério, um intelectual, mas que se transforma em um publicitário. “Informo que abandonei a literatura e o jornalismo. Estou satisfeito em ser agente publicitário”, declara aos amigos em um bacanal, sem notar a alienação em que está metido.
Rubini poderia ter agido de outra forma, pois, mesmo condicionado pela situação, ele seria capaz de transformá-la. Ele não é só vítima da história, mas propulsor dela também. Mas Rubini é uma personagem criada por Fellini justamente para refletir a falta de vontade de uma sociedade contemporânea pautada pelo espetáculo. Ele é o exemplo do triunfo da sociedade de consumo, que surge do pós-Guerra. Uma sociedade de hábitos americanizados, da velocidade, dos carros e da aparência.
Não é a toa que Fellini centra seu filme em torno da Via Veneto, uma das ruas mais famosas e caras de Roma, reduto das celebridades, do famoso Café de Paris e do Bar do Harry. Por ironia, a rua abriga ainda a embaixada americana na cidade eterna.
Em seu livro, a Sociedade do Espetáculo, Guy Debord afirma que o conceito de espetáculo unifica e explica uma grande diversidade de fenômenos aparentes. Suas diversidades e contrastes são aparências dessa aparência organizada socialmente, que deve ser reconhecida em sua verdade geral.
Segundo Debord, o espetáculo é a afirmação da aparência e de toda a vida humana – isto é, social – como simples aparência. Mas a critica que atinge a verdade do espetáculo o descobre como negação visível da vida; como negação da vida que se tornou visível.
Neste ambiente, Rubini não consegue impor sua vontade. Ele ambiciona ser como o seu amigo Steiner, um intelectual bem sucedido, casado com uma mulher bonita e inteligente, pai de dois filhos e proprietário de uma bela casa. Para Rubini, Steiner seria o ponto de lucidez em uma vida vazia e insegura. Mas sem deixar nenhuma explicação, o amigo se suicida, além de matar os filhos menores.
A Doce Vida tem a estrutura de um mosaico, em que Rubini é o guia dos episódios de uma vida mundana. O filme começa com o repórter em um helicóptero, acompanhando a imagem de um cristo sendo levada para o Vaticano. Quando sobrevoa a cobertura de um apartamento de luxo, tenta chamar a atenção das mulheres que tomam banho de sol.
Em seguida, à noite, em uma boate, encontra-se com Maddalena (Anouk Aimeé), uma burguesa entediada a procura de aventuras. Na manhã seguinte, ele corre para o aeroporto a fim de acompanhar a chegada de Sylvia Rank, atriz de cinema vivida por Anita Ekberg, por quem fica fascinado. Os dois percorrem juntos alguns pontos turísticos de Roma até a Fonte de Trevi, onde Sylvia resolve tomar um banho e atrai o jornalista.
Há também um jornalista de tablóide sensacionalista, de nome Marcello Rubini (Marcello Mastroianni), que gostaria de ser um escritor sério, um intelectual, mas que se transforma em um publicitário. “Informo que abandonei a literatura e o jornalismo. Estou satisfeito em ser agente publicitário”, declara aos amigos em um bacanal, sem notar a alienação em que está metido.
Rubini poderia ter agido de outra forma, pois, mesmo condicionado pela situação, ele seria capaz de transformá-la. Ele não é só vítima da história, mas propulsor dela também. Mas Rubini é uma personagem criada por Fellini justamente para refletir a falta de vontade de uma sociedade contemporânea pautada pelo espetáculo. Ele é o exemplo do triunfo da sociedade de consumo, que surge do pós-Guerra. Uma sociedade de hábitos americanizados, da velocidade, dos carros e da aparência.
Não é a toa que Fellini centra seu filme em torno da Via Veneto, uma das ruas mais famosas e caras de Roma, reduto das celebridades, do famoso Café de Paris e do Bar do Harry. Por ironia, a rua abriga ainda a embaixada americana na cidade eterna.
Em seu livro, a Sociedade do Espetáculo, Guy Debord afirma que o conceito de espetáculo unifica e explica uma grande diversidade de fenômenos aparentes. Suas diversidades e contrastes são aparências dessa aparência organizada socialmente, que deve ser reconhecida em sua verdade geral.
Segundo Debord, o espetáculo é a afirmação da aparência e de toda a vida humana – isto é, social – como simples aparência. Mas a critica que atinge a verdade do espetáculo o descobre como negação visível da vida; como negação da vida que se tornou visível.
Neste ambiente, Rubini não consegue impor sua vontade. Ele ambiciona ser como o seu amigo Steiner, um intelectual bem sucedido, casado com uma mulher bonita e inteligente, pai de dois filhos e proprietário de uma bela casa. Para Rubini, Steiner seria o ponto de lucidez em uma vida vazia e insegura. Mas sem deixar nenhuma explicação, o amigo se suicida, além de matar os filhos menores.
A Doce Vida tem a estrutura de um mosaico, em que Rubini é o guia dos episódios de uma vida mundana. O filme começa com o repórter em um helicóptero, acompanhando a imagem de um cristo sendo levada para o Vaticano. Quando sobrevoa a cobertura de um apartamento de luxo, tenta chamar a atenção das mulheres que tomam banho de sol.
Em seguida, à noite, em uma boate, encontra-se com Maddalena (Anouk Aimeé), uma burguesa entediada a procura de aventuras. Na manhã seguinte, ele corre para o aeroporto a fim de acompanhar a chegada de Sylvia Rank, atriz de cinema vivida por Anita Ekberg, por quem fica fascinado. Os dois percorrem juntos alguns pontos turísticos de Roma até a Fonte de Trevi, onde Sylvia resolve tomar um banho e atrai o jornalista.
Créditos da foto: Arquivo
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