terça-feira, 5 de novembro de 2013

OITO E MEIO DE FELLINI - DIRETOR ITALIANO EM CRISE EXISTENCIAL FAZ FILME CLÁSSICO

 

Alvo das mais variadas análises e interpretações e vencedor de diversos prêmios, Oito e Meio (1963) é o filme autobiográfico de Federico Fellini.


Gérson Trajano
Arquivo
Oito e Meio (1963) é o filme autobiográfico de Federico Fellini. O longa-metragem é marcado por reflexão, evocação e pela predominância da memória e das recordações de infância. O título deve-se ao fato de o diretor ter, até aquele momento, assinado seis longas e ter co-dirigido outros três filmes. Na contabilidade do diretor, cada longa em forma colaborativa vale meio filme. Este, então seria o “8 ½”.
 
Marcello Mastroianni vive o cineasta Guido Anselmi, que ainda não tem ideia de como será o próximo filme que irá fazer. Mergulhado em uma crise existencial e pressionado pelo produtor, passa a misturar o passado com o presente. O filme não é uma sequência lógica linear de acontecimentos e abusa dos flashbacks, sem distinguir para o público o que é sonho e o que é realidade.
 
“Essa história de confusão mental é típica dos reacionários, que acham necessário ter ideias claras sobre tudo, interpretar tudo de modo racional, sem precisar duvidar de nada”, disse o diretor, rebatendo as críticas de que a obra era confusa e de difícil compreensão.
 
As reflexões sobre os postulados da igreja católica e a relação com as mulheres da sua vida ocupam boa parte da película. Em um dos seus delírios, Guido imagina reunir em uma mesma casa todas as mulheres que deseja ter. Desde Saraghina (Eddra Galé), cobiçada na infância, a esposa Luisa, interpretada por Anouk Aimeé, até a amante Carla, representada pela atriz Sandra Milo.
 
Guido idealiza um verdadeiro harém. Mas em determinado momento, logo após um banho de sauna, enrolado em um lençol, de chapéu e embalado pelo som da Cavalgada das Valquírias, de Richard Wagner, empunha um chicote e começa a açoitar as mulheres, que haviam se rebelado contra ele.
 
Para o crítico Roberto Schwartz, no ensaio Menino Perdido e a Indústria, publicado no livro A Sereia e o Desconfiado – Ensaios Críticos, da editora Civilização Brasileira (1965), a profissão de Guido é o contexto indispensável para Oito e Meio. Segundo ele, em contato com a indústria do cinema os problemas tradicionais de um artista tomam feição nova e piorada.
 
“Fosse escritor, Guido poderia atrapalhar, com suas fixações, a vida de três, quatro, cinco mulheres. Muito mais é impossível, para quem corteja com recursos pessoais. Mas Guido é diretor de cinema: tem as mulheres da nação a seu dispor, ao dispor de suas manias, e irá atormentá-las segundo a sua semelhança maior ou menor com os mitos infantis”, escreve Schwartz.
 
Guido não consegue definir atores, cenários e nem um argumento para a história. Personagens do filme o acusam de não saber escrever sobre o amor, a esperança e que suas ideias não têm profundidade filosófica. Durante uma coletiva de imprensa, os jornalistas o apontam como uma fraude. Vê-se então acuado e abandonado por suas mulheres. Foge para debaixo da mesa, onde comete suicídio.
 
 
Oito e Meio é alvo das mais variadas análises e interpretações. O que distingue a sua função artística da prática. Foi o ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro e de melhor figurino preto e branco, em 1964. Recebeu também o prêmio máximo no festival de cinema de Moscou, em 1963.

CABIRIA, A INGÊNUA PROSTITUTA DE FELLINI

 

Giulietta Masina é destaque em Noites de Cabíria (1958), filme sobre a prostituta pobre e de olhar melancólico que sempre acredita nos homens.


Gérson Trajano
Divulgação
Noites de Cabíria, de Federico Fellini, ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1958. Com ele, Giulietta Masina, esposa do diretor, recebeu o prêmio de melhor atriz no festival de Cannes, interpretando uma prostituta pobre de olhar melancólico, moradora na periferia de Roma e que sempre é enganada pelos homens.
 
Logo no início do filme, o seu namorado, Giorgio (Franco Fabrizi), a joga no rio, momentos depois de roubar-lhe a bolsa. Resgatada, ela custa a acreditar que seu amante tenha tentado matá-la e fugir com o seu dinheiro. Com a ajuda das amigas, ela se refaz do atentado e segue a vida.
 
Mas Cabíria se apaixona novamente. Agora por Oscar D’Onofrio (François Périer), que mesmo sem a conhecê-la direito lhe propõem casamento. Atraída pela simpatia do moço, aceita o convite, vende sua casa, os móveis, reúne todas as suas economias e decide partir com seu novo amor. Avisa para as amigas que vai se casar.
 
O sujeito tem tudo planejado. Depois de um belo almoço, regado com vinho, ele a leva para passear à beira de um lago. O fim de tarde está esplendoroso e sua noiva efusiva. Mas D’Onofrio se mostra nervoso e tenso. Ao ponto de perguntar a Cabíria se ela sabe nadar. Ela então compreende o que está para acontecer. Desesperada, entrega sua bolsa, mas implora para que ele a mate. Ela não quer mais viver.
 
Cabíria não tem realmente sorte com os homens por quem se apaixona. Antes mesmo de conhecer D’Onofrio, ela se envolve com Alberto Lazzari (Amedeo Nazzari), um astro de cinema que a usa para esquecer uma crise conjugal.
 
Humilhada e desiludida, acredita que só um milagre poderá mudar sua vida. Ela então participa da procissão de Santa Maria, a fim de receber uma graça da madona. Mas para que isso possa acontecer, é preciso pagar para entrar no santuário, comprar velas para realizar um pedido e passar horas em penitência. E por fim, a benção não vem.
 
Cansada da realidade, Cabíria visita um teatro mambembe, onde um mágico (Aldo Silvani) pede para que ela suba ao palco e participe de um número de encantamento. Hipnotizada pelo ilusionista, revela seus sonhos e desejos mais íntimos para a plateia, que ri da sua história. Quando volta a si, percebe que foi motivo de troça..
 
 
A história da prostituta ingênua, carente, que sonha ter um marido, uma família e uma vida amparada em um amor romântico, também foi adaptada para um musical da Brodway e depois virou filme de Hollywood, ambos com o titulo de Sweet Charity e sob a direção de Bob Fosse. Em 1987, Caetano Veloso musicou o tema do filme, em uma das faixas de seu disco Caetano.

A DOCE VIDA, A SOCIEDADE DA APARÊNCIA

A Doce Vida, a sociedade da aparência

Na obra-prima de Fellini há prostitutas, fotógrafos, aristocratas decadentes, burguesas deprimidas, estrelas de cinema e um povo que acredita em milagres.


Gérson Trajano
Arquivo
Em A Doce Vida (1960), de Federico Fellini, há prostitutas, fotógrafos, aristocratas decadentes, burguesas deprimidas, estrelas de cinema e um povo que acredita em milagres. Uma sociedade italiana fragmentada que se refaz das ruínas da Segunda Guerra Mundial.
 
Há também um jornalista de tablóide sensacionalista, de nome Marcello Rubini (Marcello Mastroianni), que gostaria de ser um escritor sério, um intelectual, mas que se transforma em um publicitário. “Informo que abandonei a literatura e o jornalismo. Estou satisfeito em ser agente publicitário”, declara aos amigos em um bacanal, sem notar a alienação em que está metido.
 
Rubini poderia ter agido de outra forma, pois, mesmo condicionado pela situação, ele seria capaz de transformá-la. Ele não é só vítima da história, mas propulsor dela também. Mas Rubini é uma personagem criada por Fellini justamente para refletir a falta de vontade de uma sociedade contemporânea pautada pelo espetáculo. Ele é o exemplo do triunfo da sociedade de consumo, que surge do pós-Guerra. Uma sociedade de hábitos americanizados, da velocidade, dos carros e da aparência.
 
Não é a toa que Fellini centra seu filme em torno da Via Veneto, uma das ruas mais famosas e caras de Roma, reduto das celebridades, do famoso Café de Paris e do Bar do Harry. Por ironia, a rua abriga ainda a embaixada americana na cidade eterna.
 
Em seu livro, a Sociedade do Espetáculo, Guy Debord afirma que o conceito de espetáculo unifica e explica uma grande diversidade de fenômenos aparentes. Suas diversidades e contrastes são aparências dessa aparência organizada socialmente, que deve ser reconhecida em sua verdade geral.
 
Segundo Debord, o espetáculo é a afirmação da aparência e de toda a vida humana – isto é, social – como simples aparência. Mas a critica que atinge a verdade do espetáculo o descobre como negação visível da vida; como negação da vida que se tornou visível.
 
Neste ambiente, Rubini não consegue impor sua vontade. Ele ambiciona ser como o seu amigo Steiner, um intelectual bem sucedido, casado com uma mulher bonita e inteligente, pai de dois filhos e proprietário de uma bela casa. Para Rubini, Steiner seria o ponto de lucidez em uma vida vazia e insegura. Mas sem deixar nenhuma explicação, o amigo se suicida, além de matar os filhos menores.
 
A Doce Vida tem a estrutura de um mosaico, em que Rubini é o guia dos episódios de uma vida mundana. O filme começa com o repórter em um helicóptero, acompanhando a imagem de um cristo sendo levada para o Vaticano. Quando sobrevoa a cobertura de um apartamento de luxo, tenta chamar a atenção das mulheres que tomam banho de sol.
 
 
Em seguida, à noite, em uma boate, encontra-se com Maddalena (Anouk Aimeé), uma burguesa entediada a procura de aventuras. Na manhã seguinte, ele corre para o aeroporto a fim de acompanhar a chegada de Sylvia Rank, atriz de cinema vivida por Anita Ekberg, por quem fica fascinado. Os dois percorrem juntos alguns pontos turísticos de Roma até a Fonte de Trevi, onde Sylvia resolve tomar um banho e atrai o jornalista.




Créditos da foto: Arquivo

VINTE ANOS SEM FELLINI

 

Critico da igreja católica, do marxismo e da influência norte-americana nos costumes de outros países, diretor tornou seu estilo de cinema em adjetivo.


Gérson Trajano
Samm Wessel
Há 20 anos morria o cineasta Federico Fellini (1920-1993), que ganhou cinco Oscars e mais dezenas de prêmios com os seus filmes. Dirigiu 24 longas-metragens. Premiados cineasta contemporâneos como Woody Allen, David Lynch, David Cronenberg, Stanley Kubrick, Martin Scorsese, Tim Burton e Pedro Almodóvar, já disseram ter sofrido grandes influências do diretor italiano em seus trabalhos.

Leia resenhas dos filmes de Felliniaquiaqui, aqui e aqui 
 
Como não bastasse, Fellini transformou seu modo de fazer cinema em adjetivo. O qualificativo “felliniano”, para designar certos traços ou situações, passou a ser uma marca inconfundível do diretor, e termo usado pela mídia de vários países.
 
Critico da igreja católica, do marxismo, do capitalismo e da influência norte-americana nos costumes de outros países, principalmente na Itália, dizia que o artista, como qualquer homem, precisa enfrentar com decisão as dúvidas e aceitar sua guerra. “Ele não pode achar que tudo já está concordado. É isso que dá dignidade à missão do artista e do homem.”
 
Segundo os críticos, a explicação para a amplitude de sua obra encontra-se no modo como o artista explorou e expôs suas vivências, memórias e visões de mundo de uma forma misturada, com um grande poder de imaginação e criatividade infinita. Ele mesmo gostava de dizer que seu trabalho é somente a sua relação com tudo.
 
Para Luiz Renato Martins, autor do livro Conflito e Interpretação em Fellini (Edusp, 1993), grande parte da iconização de Fellini deve-se ao impacto causado pelo lançamento de A Doce Vida, que segundo ele se destaca dos demais filmes da época por sua orientação temática.
 
“O filme apresenta o poder das relações de mercado moldando a arte, a cultura em geral e a gama das relações humanas em jogo. A força de impacto da obra nasce da exposição dramática das suas condicionantes, redefinindo a imanência do cinema e propondo um olhar mais analítico sobre o mundo das imagens. Opera-se, então, uma conjunção inédita entre referência ao processo e caracterização dos mecanismos de mercado,” afirma Renato Martins.
 
Fellini não gostava de escrever roteiros. Dizia que era uma pena transformar em palavras o que já deveria ser transformado em imagens, em filme. Planejar não era com ele. Preferia improvisar e trabalhar com não-atores. Mas vivia cercado por gente de talento, como o músico Nino Rota, o roteirista Tonino Guerra, o ator Marcello Mastroianni, e Giulietta Masina, sua mulher e atriz.
 
A opção por uma estética fantasista e onírica acaba sendo identificada como um afastamento das suas origens do movimento Neorrealista. Afinal, Fellini é assistente de direção de Roberto Rosselini em Roma, Cidade Aberta, um marco da escola italiana.
 
 
Fellini afirma que sua adesão à realidade é sempre subjetiva e emocional. Para ele, a mentira é sempre mais interessante que a verdade. Chega a declarar que, “a ficção pode nos levar a uma verdade mais aguda que a realidade cotidiana e aparente”.   






Créditos da foto: Samm Wessel

terça-feira, 3 de setembro de 2013

FILMES DE FELLINI



OS DEZ MAIORES FILMES DE FEDERICO FELLINI




1 . Oito e Meio (1963)





2 . Amarcord (1973)






3 . A Doce Vida (1960)

4 . A Estrada da Vida (1954)



5 . Os Boas-Vidas (1953)

6 . Noites de Cabíria (1957)

7 . E La Nave Va (1983)

8 . As Tentações do Doutor Antônio (1962)

9 . Ginger e Fred (1985)

10. Abismo de um Sonho ( 1952)





SATIRICON
CASANOVA














Sequência do filme "Os Palhaços" (1970), de Federico Fellini.
Legendas em português.
Engraçado, belo e poético.













FELLINI, FILMES, LEGADO, PRÊMIOS E FILMOGRAFIA


  


Filmes

"Mulheres e Luzes" ("Luci del varietà"), de 1950, foi o primeiro filme de Fellini co-dirigido pelo experiente diretor Alberto Lattuada. Uma comédia charmosa sobre uma turma de saltimbancos itinerantes. O filme foi um estimulante para Fellini, na época com trinta anos, mas sua fraca distribuição e críticas fracas tornaram do filme um motivo de preocupação e um desastre que levou a produtora à falência, deixando Fellini e Lattuada com dívidas que se estenderam por uma década.
O primeiro filme que Fellini dirigiu sozinho foi "Abismo de um sonho" ("Lo sceicco bianco", 1952). Estrelado por Alberto Sordi. O filme é uma releitura de uma fotonovela - comuns na Itália daquela época - de Michelangelo Antonioni feita em 1949. O produtor Carlo Parlo Ponti pagou a Fellini e Tullio Pinelli para desenvolver a trama, mas achou o material muito complexo. Assim, o filme foi passado para Alberto Lattuada, que também recusou. Fellini então resolveu pegar o desafio e dirigiu o filme sozinho.
Ennio Flaiano (que também co-escreveu "Mulheres e Luzes") trabalhava um novo texto com Fellini e Pinelli. Juntos moldaram um conto de um casal recém-casado cujas aparências de respeito são devastadas por fantasias da esposa inexperiente (papel muito bem retratado por Brunella Bovo). Pela primeira vez, Fellini e o compositor Nino Rota trabalharam juntos em uma produção de um filme. Eles se encontraram em Roma no ano de 1945 e a parceria durou com sucesso até a morte de Rota durante o making of do filme "Cidade das Mulheres" em 1980. Essa relação artística foi memoravelmente descrita como mágica, empática e irracional.
Em 1961, Fellini descobriu através de um psicanalista os livros de Carl Jung. As teorias de Jung de anima e animus, o papel dos arquétipos e do coletivo inconsciente foram vigorosamente explorados no filme "", "Julieta dos Espíritos", "Satyricon", "Casanova" e "Cidade das Mulheres".
O reconhecido e aclamado Fellini ganhou quatro Óscares na categoria de melhor filme estrangeiro (vide filmografia), uma Palma de Ouro no Festival de Cannes com o filme "A Doce Vida", considerado um dos filmes mais importantes do cinema e dos anos 1960. Foi neste filme que surgiu o termo "Paparazzo", que era um fotógrafo amigo de Marcello Rubini, interpretado por Marcello Mastroianni.
Os filmes de Fellini renderam muitos prêmios, dentre eles: quatro Oscars, dois Leões de Prata, uma Palma de Ouro, o prêmio do Festival Internacional de Filmes de Moscou e, em 1990, o prestigiado Prêmio Imperial concedido pela Associação de Arte do Japão, que é considerado como um Prêmio Nobel. Este, cobre cinco disciplinas: pintura, escultura, arquitetura, música e teatro/filme. Com este prêmio, Fellini juntou-se a nomes como Akira Kurosawa, David Hockney, Balthus, Pina Bausch, e Maurice Béjart.

Legado

Com uma combinação única de memória, sonhos, fantasia e desejo, os filmes de Fellini têm uma profunda visão pessoal da sociedade, não raramente colocando as pessoas em situações bizarras. Existe um termo "Felliniesco" que é empregado para descrever qualquer cena que tenha imagens alucinógenas que invadam uma situação comum.
Grandes cineastas contemporâneos como Woody Allen, David Lynch, Girish Kasaravalli, David Cronenberg, Stanley Kubrick, Martin Scorsese, Tim Burton, Pedro Almodóvar, Terry Gilliam e Emir Kusturica já disseram ter grandes influências de Fellini em seus trabalhos. Woody Allen, em particular, já usou o imaginário e temas de Fellini em vários de seus filmes: "Memórias" evoca "", e "A Era do Rádio" é remanescente de "Amarcord", enquanto "Broadway Danny Rose" e "A Rosa Púrpura do Cairo" inspirados em "Mulheres e Luzes" e "Abismo de um Sonho" respectivamente.
O cineasta polonês Wojciech Has, autor dos filmes "O manuscrito encontrado em Saragoça" (1965) e "Sanatorium Pod Klepsydrą" (The Hour-Glass Sanatorium - 1973), são notáveis exemplos de fantasia modernista e foi comparado à Fellini pela "Luxúria pura de suas imagens".
O cantor escocês de rock progressivo Fish lançou em 2001 um álbum de nome Fellini Days, com letras e músicas totalmente inspiradas nos filmes de Fellini.
O trabalho de Fellini inspirou fortemente musicalmente e visualmente a banda "B-52’s". Eles citaram que o estilo de cabelos bufantes e de roupas futuristas e retrô vem de filmes como "8½", por exemplo. A inspiração em Fellini vem também no último álbum da banda, intitulado "Funplex", (2008) com uma música que leva o nome de um de seus filmes "Juliet


Federico Fellini

20/01/1920, Rimini (Itália)
31/10/1993, Roma (Itália)


A revista italiana de humor "Marc Aurélio", em Florença, publicou as primeiras caricaturas assinadas por Federico Fellini, que, a partir de 1939, fez também pequenos roteiros e piadas para comediantes. Mas seu primeiro grande trabalho, em 1945, foi escrever parte do roteiro de "Roma, Cidade Aberta", do cienasta Roberto Rossellini, filme considerado o manifesto do cinema neo-realista. Fellini participou também do filme seguinte de Rossellini, "Paisà" (1946), como co-roteirista e assistente de direção.

Esse foi o início de sua carreira no cinema, como co-roteirista e colaborador também dos diretores Alberto Lattuada e Pietro Germi. Sua estréia como co-diretor foi ao lado de Lattuada, em "Mulheres e Luzes" (1950). Em seguida, fez seu primeiro filme, "Abismo de um Sonho" (1951), no qual a influência do realismo já começa a ser substituída pelo clima de sonho que caracterizou sua obra.

Apesar do início como roteirista, Fellini dizia ser uma pena passar por palavras o que deveria saltar de sua imaginação para o filme. Por isso, gostava de improvisar, de atores não profissionais e de evitar a rotina de trabalho. Como Dario Fo, muitas vezes ele também desenhava as suas cenas antes de escrevê-las.

O primeiro filme polêmico tanto entre católicos quanto comunistas foi o sucesso "A Estrada da Vida" (1954), com sua mulher, a atriz Giulietta Masina, Anthony Quinn e Richard Basehart. A obra lhe rendeu o primeiro Oscar de filme estrangeiro. A segunda estatueta foi por "As Noites de Cabíria" (1957), e o terceiro por "Oito e Meio" (1963).

Mas nada o preparou para o sucesso e o escândalo de "A Doce Vida" (1959). O diário oficial da Igreja Católica, L'Osservatore Romano, clamou: "Basta!". Porém, o filme deu a Fellini a Palma de Ouro em Cannes, em 1960. Além de criticar a ligação entre o estado e o catolicismo, a obra ficou famosa pelo desempenho de colaboradores de Fellini: o compositor Nino Rota, e os atores Marcello Mastroianni e Anita Ekberg - a cena do banho na Fontana di Trevi em Roma é um dos ícones do cinema ocidental.

Poucos autores tiveram um estilo tão característico. Tanto que, por motivos mercadológicos, seu nome foi colocado no título de filmes como "Fellini Satyricon" (1969), "Roma de Fellini" (1972) e "Casanova de Fellini" (1976). O diretor nunca negou ter feito filmes autobiográficos, mas "Amarcord" (Eu me recordo, em dialeto), de 1973, é o que mais claramente resultou como uma mistura de sonhos e lembranças.

Em o Ensaio de Orquestra (1979), o cineasta fez uma auto-análise como diretor de pessoas e ao mesmo tempo reflete sobre a união das várias províncias italianas, num momento em que o Norte da Itália falava em separar-se do Sul. Seus últimos filmes se tornaram cada vez oníricos: "Cidade das Mulheres" (1980), "E la Nave Va" (1983), "Ginger e Fred" (1985) e "A Voz da Lua" (1990).


Prêmios e nomeações

Oscar


  • 1993 - Oscar Honorário

Indicações


Golden Globe Awards Globo de Ouro


  • Melhor Filme em Língua Estrangeira

Prêmio Bodil



BAFTA[desambiguação necessária]



Indicações


Prêmio César


Indicações


Prêmio David di Donatello


  • Medalha Cidade de Rome e Prêmio René Clair
  • Melhor Argumento e Prêmio Luchino Visconti

Festival de Cannes



Festival de Veneza



Prêmios do Cinema Europeu


  • Prêmio pelo Conjunto da Obra

Festival Internacional de Moscou


  • Prêmio Grand Prix
of the Spirits", ou, "Julieta dos Espíritos" ("Giulietta Degli Spiriti, 1965)".


Filmografia

Como cineasta:
Ano Título original Título no Brasil Título em Portugal
1950
Luci del varietà*
Mulheres e Luzes
idem
1952
Lo sceicco bianco
Abismo de um sonho
O Sheik Branco
1953
I vitelloni
Os boas-vidas
Os Inúteis
1953
L'amore in città**
Amores na Cidade
Retalhos da vida
1954
La strada
A estrada da vida
A estrada
1955
Il bidone
A trapaça
O Conto do Vigário
1957
Le notti di Cabiria
Noites de Cabíria
As noites de Cabíria
1960
La dolce vita
A doce Vida
A doce Vida
1962
Boccaccio '70***
idem
idem
1963
Oito e meio
Fellini 8 ½
1965
Giulietta degli spiriti
Julieta dos espíritos
Julieta dos espíritos
1968
Tre passi nel delirio****
(Histoires extraordinaires)
Histórias Extraordinárias
Histórias Extraordinárias
1969
Satyricon
Satyricon de Fellini
ou Fellini - Satyricon
Fellini - Satyricon
1969
TV
Block-notes di un regista
Anotações de um Diretor
Diário de um Realizador
1971
I clowns
Os Palhaços
Os Palhaços
1972
Roma
Roma de Fellini
Roma de Fellini
1973
Amarcord
idem
idem
1976
Il Casanova di Federico Fellini
Casanova de Fellini
O Casanova de Federico Fellini
1978
Prova d'orchestra
Ensaio de Orquestra
Ensaio de Orquestra
1980
La città delle donne
Cidade das Mulheres
A Cidade das Mulheres
1983
E la nave va
idem
O navio
1986
Ginger e Fred
idem
idem
1987
Intervista
Entrevista
Entrevista
1990
La voce della luna
A Voz da Lua
A Voz da Lua
(*) co-creditado a Alberto Lattuada
(**) segmento Agenzia matrimoniale (Agência matrimonial)
(***) segmento Le tentazioni del dottor Antonio (br/pt:As tentações do doutor Antônio/António)
(****) segmento Toby Dammit

FELLINI, O CAVALEIRO DA GRANDE CRUZ







Federico Fellini (Rimini, 20 de janeiro de 1920Roma, 31 de outubro de 1993) foi um dos mais importantes cineastas italianos.

Fellini ficou eternizado pela poesia de seus filmes, que, mesmo quando faziam sérias críticas à sociedade, não deixavam a magia do cinema desaparecer. Fellini ficou famoso pela estrutura cult de seus filmes. Geralmente fazia críticas ao totalitarismo, marxismo, à Igreja Católica (Fellini chegou às vezes até a elogiá-la apesar das críticas que ele fazia à Igreja), capitalismo e a influência americana nos costumes de outros países, principalmente na Itália.
Trabalhou suas trilhas sonoras, na grande maioria das vezes, com o grande compositor Nino Rota.

Federico Fellini, Cavaleiro da Grande Cruz (título de honra concedido pelo Governo Italiano), nascido em 20 de Janeiro de 1920 e falecido em 31 de Outubro de 1993. Conhecido pelo estilo peculiar que funde fantasia e imagens barrocas, ele é considerado uma das maiores influências e um dos mais admirados diretores do século XX.

Em agosto de 1918, sua mãe, Ida Barbiani (1896 - 1984), se casa com um vendedor viajante chamado Urbano Fellini (1894 - 1956) em cerimônia civil (com a cerimônia religiosa no mês de janeiro seguinte). Federico Fellini era o mais velho de três filhos (depois vieram Riccardo e Maria Maddalena). Urbano Fellini era nativo de Gambettola, onde, por muito tempo, Federico costumou passar as férias na casa dos avós.

Nascido e criado em Rimini, as experiências de sua infância vieram a ter uma parte vital em muitos de seus filmes, em particular em "Os Boas Vidas", de 1953; "" (1963) e "Amarcord" (1973). Porém, é errado pensar que todos os seus filmes contêm autobiografias e fantasias implícitas. Amigos próximos, como os roteiristas de TV Tulio Pinelli e Bernardino Zapponi, o cinematógrafo Giuseppe Rotunno e o designer de cenário Dante Ferretti, afirmam que Fellini convidava suas próprias memórias pelo simples prazer de narrá-las em seus filmes.

Durante o regime fascista de Mussolini, Fellini e seu irmão Riccardo fizeram parte de um grupo fascista que era obrigatório para todos os rapazes da Itália: o "Avanguardista". Ao se mudar para Roma em 1939, ele conseguiu um trabalho bem remunerado escrevendo artigos em um programa semanal satírico muito popular na época – o Marc’Aurelio. Foi nesse período em que entrevistou o renomado ator Aldo Fabrizi, dando início a uma amizade que se estendeu para a colaboração profissional e um trabalho em rádio. Em uma época de alistamento compulsório desde 1939, Fellini sem dúvida conseguiu evitar ser convocado usando de artifícios e truques de grande perspicácia. O biógrafo Tulio Kezich comenta que, apesar da época feliz do Marc’Aurelio, a felicidade mascarava uma época imoral de apatia política. Muitos que viveram os últimos anos sob o regime de ditadura de Mussolini, vivenciaram entre uma esquizofrênica imposição à lealdade ao regime fascista e uma liberdade pura no humor.

Fellini conheceu sua esposa Giulietta Masina em 1942, casando-se no ano seguinte em 30 de outubro. Assim começa uma grande parceria criativa no mundo do cinema. Em 22 de março de 1945, Giulietta caiu da escada e teve complicações em sua gravidez, resultando em um parto prematuro e complicado de um menino que ganhou o nome de Pierfederico ou Federichino (Federiquinho), mas que faleceu com um mês e dois dias de vida. Tragédias familiares os afetaram profundamente, como é percebido na concepção de "A Estrada da Vida" de 1954.

O italiano foi também um cartunista talentoso. Produziu desenhos satíricos a lápis, aquarela, canetas hidrocor que percorreram a América do Norte e Europa, e hoje são de grande valia a colecionadores (muitos de seus rascunhos foram inspirados durante a produção dos filmes, estimulando ideias de decoração, vestimentas, projeto do set de filmagens, etc.). Com a queda do fascismo em 25 de julho de 1943 e a libertação de Roma pelas tropas aliadas em 4 de Junho de 1944, num verão eufórico, Fellini e seu amigo De Seta inauguraram o Shopping das Caretas, desenhando caricaturas dos soldados aliados por dinheiro. Foi quando Roberto Rossellini tomou conhecimento do projeto intitulado "Roma, Cidade Aberta" (1945) de Fellini e foi ao seu encontro. Ele queria ser apresentado a Aldo Fabrizi e colaborar com o script juntamente com Suso Cecchi D'Amato, Piero Tellini e Alberto Lattuada. Fellini aceitou. Em 1948, Fellini atuou no filme de Roberto Rossellini "Il Miracolo", com Anna Magnani. Para atuar no papel de um vigarista que é confundido com um santo. Fellini teve seu cabelo tingido de loiro.

Fellini também escreveu textos para shows de rádio e textos para filmes (mais notavelmente para Rossellini, Pietro Germi, Eduardo De Filippo e Mario Monicelli) também escreveu inúmeras anedotas muitas vezes sem crédito, para conhecidos comediantes como Aldo Fabrizi. Uma fotonovela de Fellini chamada "Uma Viagem para Tulum" foi publicada na revista Crisis, com arte de Milo Manara, e publicada como gibi pela Catalan Communications, no mesmo ano.

Nos anos de 1991 e 1992 trabalhou junto com o diretor canadense Damian Pettigrew para ter o que ficou conhecida como "a mais longa e detalhada conversa jamais vista sobre filmes", que depois serviu de base para um documentário e um livro lançados anos mais tarde: "Fellini: Eu sou um grande Mentiroso". Tullio Kezich, crítico de filme e biógrafo de Fellini descreveu esses trabalhos como sendo "O Testamento Espiritual do Maestro".

Em 1993, recebeu um Oscar de Honra em reconhecimento de suas obras que chocaram e divertiram audiências mundo afora. No mesmo ano ele morreu de ataque cardíaco em Roma, aos 73 anos (um dia depois de completar cinquenta anos de casado). Sua esposa, Giulietta, morreu seis meses depois de câncer de pulmão em 23 de março de 1994. Giulietta, Fellini e Pierfederico estão enterrados no mesmo túmulo de bronze esculpido por Aldo Pomodoro. Em formato de barco, o túmulo está localizado na entrada do cemitério de Rimini – sua cidade natal. O aeroporto da cidade de Rimini também recebeu seu nome.

(extraído da Wikipedia)