Filmes
"Mulheres e Luzes" ("
Luci del varietà"), de
1950, foi o primeiro filme de Fellini co-dirigido pelo experiente
diretor Alberto Lattuada. Uma
comédia
charmosa sobre uma turma de saltimbancos itinerantes. O filme foi um
estimulante para Fellini, na época com trinta anos, mas sua fraca
distribuição e críticas fracas tornaram do filme um motivo de
preocupação e um desastre que levou a produtora à falência, deixando
Fellini e Lattuada com dívidas que se estenderam por uma década.
O primeiro filme que Fellini dirigiu sozinho foi "Abismo de um sonho" ("
Lo sceicco bianco",
1952). Estrelado por Alberto Sordi. O filme é uma releitura de uma
fotonovela - comuns na
Itália daquela época - de
Michelangelo Antonioni feita em
1949.
O produtor Carlo Parlo Ponti pagou a Fellini e Tullio Pinelli para
desenvolver a trama, mas achou o material muito complexo. Assim, o filme
foi passado para Alberto Lattuada, que também recusou. Fellini então
resolveu pegar o desafio e dirigiu o filme sozinho.
Ennio Flaiano (que também co-escreveu "Mulheres e Luzes") trabalhava
um novo texto com Fellini e Pinelli. Juntos moldaram um conto de um
casal recém-casado cujas aparências de respeito são devastadas por
fantasias da esposa inexperiente (papel muito bem retratado por Brunella
Bovo). Pela primeira vez, Fellini e o
compositor Nino Rota trabalharam juntos em uma produção de um
filme. Eles se encontraram em
Roma no ano de
1945 e a parceria durou com sucesso até a morte de Rota durante o making of do filme "Cidade das Mulheres" em
1980. Essa relação artística foi memoravelmente descrita como mágica, empática e irracional.
Em
1961, Fellini descobriu através de um
psicanalista os livros de
Carl Jung. As teorias de Jung de anima e animus, o papel dos
arquétipos e do coletivo inconsciente foram vigorosamente explorados no filme "
8½", "Julieta dos Espíritos", "
Satyricon", "Casanova" e "Cidade das Mulheres".
O reconhecido e aclamado Fellini ganhou quatro Óscares na categoria de
melhor filme estrangeiro (vide filmografia), uma
Palma de Ouro no
Festival de Cannes com o filme
"A Doce Vida", considerado um dos filmes mais importantes do cinema e dos
anos 1960. Foi neste filme que surgiu o termo "Paparazzo", que era um fotógrafo amigo de Marcello Rubini, interpretado por
Marcello Mastroianni.
Os filmes de Fellini renderam muitos prêmios, dentre eles: quatro
Oscars, dois
Leões de Prata, uma Palma de Ouro, o prêmio do Festival Internacional de Filmes de Moscou e, em
1990, o prestigiado Prêmio Imperial concedido pela Associação de Arte do Japão, que é considerado como um
Prêmio Nobel. Este, cobre cinco disciplinas:
pintura,
escultura,
arquitetura,
música e
teatro/filme. Com este prêmio, Fellini juntou-se a nomes como
Akira Kurosawa, David Hockney, Balthus, Pina Bausch, e Maurice Béjart.
Legado
Com uma combinação única de
memória,
sonhos,
fantasia e
desejo, os filmes de Fellini têm uma profunda visão pessoal da
sociedade,
não raramente colocando as pessoas em situações bizarras. Existe um
termo "Felliniesco" que é empregado para descrever qualquer cena que
tenha imagens alucinógenas que invadam uma situação comum.
Grandes cineastas contemporâneos como
Woody Allen,
David Lynch, Girish Kasaravalli,
David Cronenberg,
Stanley Kubrick,
Martin Scorsese,
Tim Burton,
Pedro Almodóvar,
Terry Gilliam e Emir Kusturica já disseram ter grandes influências de
Fellini em seus trabalhos. Woody Allen, em particular, já usou o
imaginário e temas de Fellini em vários de seus filmes: "Memórias" evoca
"
8½", e "A Era do Rádio" é remanescente de "
Amarcord", enquanto "Broadway Danny Rose" e "
A Rosa Púrpura do Cairo" inspirados em "Mulheres e Luzes" e "Abismo de um Sonho" respectivamente.
O cineasta polonês Wojciech Has, autor dos filmes "O manuscrito encontrado em Saragoça" (
1965) e "Sanatorium Pod Klepsydrą" (The Hour-Glass Sanatorium -
1973), são notáveis exemplos de fantasia modernista e foi comparado à Fellini pela "Luxúria pura de suas imagens".
O cantor
escocês de
rock progressivo Fish lançou em
2001 um álbum de nome
Fellini Days, com letras e músicas totalmente inspiradas nos filmes de Fellini.
O trabalho de Fellini inspirou fortemente musicalmente e visualmente a
banda "B-52’s". Eles citaram que o estilo de cabelos bufantes e de
roupas
futuristas
e retrô vem de filmes como "8½", por exemplo. A inspiração em Fellini
vem também no último álbum da banda, intitulado "Funplex", (
2008) com uma música que leva o nome de um de seus filmes "
Juliet
Federico Fellini
20/01/1920, Rimini (Itália)
31/10/1993, Roma (Itália)
A revista italiana de humor "Marc Aurélio", em Florença, publicou as
primeiras caricaturas assinadas por Federico Fellini, que, a partir de
1939, fez também pequenos roteiros e piadas para comediantes. Mas seu
primeiro grande trabalho, em 1945, foi escrever parte do roteiro de
"Roma, Cidade Aberta", do cienasta Roberto Rossellini, filme considerado
o manifesto do cinema neo-realista. Fellini participou também do filme
seguinte de Rossellini, "Paisà" (1946), como co-roteirista e assistente
de direção.
Esse foi o início de sua carreira no cinema, como co-roteirista e
colaborador também dos diretores Alberto Lattuada e Pietro Germi. Sua
estréia como co-diretor foi ao lado de Lattuada, em "Mulheres e Luzes"
(1950). Em seguida, fez seu primeiro filme, "Abismo de um Sonho" (1951),
no qual a influência do realismo já começa a ser substituída pelo clima
de sonho que caracterizou sua obra.
Apesar do início como roteirista, Fellini dizia ser uma pena passar por
palavras o que deveria saltar de sua imaginação para o filme. Por isso,
gostava de improvisar, de atores não profissionais e de evitar a rotina
de trabalho. Como
Dario Fo, muitas vezes ele também desenhava as suas cenas antes de escrevê-las.
O primeiro filme polêmico tanto entre católicos quanto comunistas foi o
sucesso "A Estrada da Vida" (1954), com sua mulher, a atriz Giulietta
Masina,
Anthony Quinn
e Richard Basehart. A obra lhe rendeu o primeiro Oscar de filme
estrangeiro. A segunda estatueta foi por "As Noites de Cabíria" (1957), e
o terceiro por "Oito e Meio" (1963).
Mas nada o preparou para o sucesso e o escândalo de "A Doce Vida"
(1959). O diário oficial da Igreja Católica, L'Osservatore Romano,
clamou: "Basta!". Porém, o filme deu a Fellini a Palma de Ouro em
Cannes, em 1960. Além de criticar a ligação entre o estado e o
catolicismo, a obra ficou famosa pelo desempenho de colaboradores de
Fellini: o compositor Nino Rota, e os atores
Marcello Mastroianni e Anita Ekberg - a cena do banho na Fontana di Trevi em Roma é um dos ícones do cinema ocidental.
Poucos autores tiveram um estilo tão característico. Tanto que, por
motivos mercadológicos, seu nome foi colocado no título de filmes como
"Fellini Satyricon" (1969), "Roma de Fellini" (1972) e "Casanova de
Fellini" (1976). O diretor nunca negou ter feito filmes autobiográficos,
mas "Amarcord" (Eu me recordo, em dialeto), de 1973, é o que mais
claramente resultou como uma mistura de sonhos e lembranças.
Em o Ensaio de Orquestra (1979), o cineasta fez uma auto-análise como
diretor de pessoas e ao mesmo tempo reflete sobre a união das várias
províncias italianas, num momento em que o Norte da Itália falava em
separar-se do Sul. Seus últimos filmes se tornaram cada vez oníricos:
"Cidade das Mulheres" (1980), "E la Nave Va" (1983), "Ginger e Fred"
(1985) e "A Voz da Lua" (1990).
Prêmios e nomeações
- Indicações
- Melhor Diretor
- Melhor Roteiro Original
- Melhor Roteiro Adaptado
- Melhor Filme em Língua Estrangeira
- Indicações
- Melhor Filme Estrangeiro
- Melhor Direção de Arte
- Indicações
Prêmio David di Donatello
- Medalha Cidade de Rome e Prêmio René Clair
- Melhor Argumento e Prêmio Luchino Visconti
- Palma de Ouro
- Prémio de 40º Aniversário do Festival de Cannes
- Grande Prémio Técnico
- Prémio OCIC - Menção Especial
- Leão de Prata
- Carreira Leão de Ouro (1985)
- Prêmio pelo Conjunto da Obra
of the Spirits", ou, "Julieta dos Espíritos" ("Giulietta Degli Spiriti, 1965)".
Filmografia
- Como cineasta: